zacaoamargo Veterano |
# Enviado: 19/dez/07 01:58 Votar
Extraí dum site isso aqui ó:
(...) Experimente plugar a guitarra direto no amp, depois compare com o som do Boss no bypass, vai ver que perde muitos agudos, muito brilho e um pouco de ganho também. A idéia original do buffer seria ter o mesmo timbre, como se ele não estivesse lá, como se sua guitarra estivesse ligada direto no amp pelo primeiro cabo (o que entra no buffer). Mas teoria é teoria, né?
A maioria daqui sabe que não sou engenheiro nem nada, mas como tenho tido bastante experiência e prezo muito pela informação (o cidadão sem informação é o primeiro a ser enganado), vou tentar explicar aqui o que sei sobre o assunto, em linguagem de guitarrista quando possível Laughing . Sendo assim, sem grandes pretensões didáticas: pra não deixar muita coisa no ar, o "buffer" é basicamente um pequeno "bloco" de circuito que tem a incumbência (teórica) de "ajuste" de impedâncias. Às vezes é desejável que as impedâncias se "casem" (mesmos valores), no nosso caso a regrinha básica da eficiência na transmissão do sinal é: alta impedância de entrada, baixa impedância de saída (explicando de maneira simples, isso ocorre porque o sinal que sua guitarra quer mandar para frente é representado pela grandeza "tensão" e não por "corrente"). O sinal de alta impedância é mais sujeito a perdas e é justamente desse tipo que é o sinal da guitarra (passiva!). A idéia teórica do buffer no início da cadeia de pedais seria, portanto, pegar um sinal de guitarra ainda bem "inteiro" (a perda se dá pelo comprimento do cabo, por isso o sinal no começo da cadeia está mais "inteiro") e converter logo esse sinal de alta para baixa impedância, minimizando as perdas. Depois que o seu sinal já está em baixa impedância, ele perde muito menos passando pelo restante da sua cadeia (por isso a teoria de que o buffer no começo seria seguido de pedais true bypass, teoricamente não precisaríamos de mais um buffer se o sinal já é de baixa impedância). A complicação aí é que muitos projetos antigos de pedais possuem impedância de entrada muito baixa para esses padrões atuais (um Fuzz Face tem dezenas de milhares de ohms de impedância de entrada, um booster baseado em MOSFET bastante popular no mercado de hoje tem alguns MILHÕES de ohms). Lembram da regrinha? Queríamos alta impedância de entrada, com um Fuzz Face logo após um buffer moderno, a impedância de entrada do FF se torna muito baixa em relação à impedância de saída do buffer, nossa regrinha vai pelos ares e o pedal soa esquisito (no mínimo diferente)! Essa é a maior ressalva da teoria do buffer fixo no início da cadeia, alguns projetos se valem justamente dessa "impedância errada" (na verdade não é errada, era outro conceito, que faz bastante sentido para os anos 60 mas não muito para hoje) para produzir sons específicos e tornar a interação do pedal com o volume da guitarra muito mais natural. É claro que isso também não é absoluto (caramba, nada é?), inclusive trabalhamos na Deep Trip com projetos antigos E com alta impedância de entrada com bastante freqüência. Existem soluções, opções, vantagens e desvantagens, por isso nem sempre um buffer é o que nós queremos (nós guitarristas e nós Deep Trip também), mas certamente nos abre um leque maior de possibilidades.
A maioria da galera que eu acompanho por aí concorda que os buffers baseados em JFET (denovo, teoricamente) resultam em melhores resultados, devido à alta impedância de entrada deles (pra quem não é familiarizado com eletrônica, imagine JFET como "um tipo de transistor", só pra dar algum sentido ao que eu escrevi acima Embarassed ). Mas como tudo tem um "porém", é importante lembrar que nós estamos acostumados com alguma (ou bastante) perda de sinal, portanto às vezes podemos achar essa impedância bem alta meio pentelha, com excesso de brilho. Mas que fica claramente mais nítido o som da guitarra, sem dúvida fica.
Um buffer é um circuito muito simples de ser feito, existem dezenas de idéias de buffers específicos para guitarra disponíveis gratuitamente na net (gratuitamente para uso próprio, não para fazer e vender, hein!), quem tem alguma familiaridade com o ferro de solda pode se arriscar a montar alguns e ver se agradam, depois pode pintar uma caixinha bem maluca, colocar isso dentro e tirar onda com os outros guitarristas! Laughing
Só pra fechar: buffers podem atrapalhar muito, mas também podem ser muito legais e úteis em várias situações.
Como na real não consigo parar de escrever, vou plantando uma sementinha na cuca de vocês: seu pedal tá soando lindo no valvulado e péssimo no transistorizado? Hummm, e a impedância disso? Ué, mas e os mitos de que certas coisas só funcionam em valvulados, outras nos dois? Tudo (ou quase tudo Laughing ) tem uma explicação técnica, o que raramente tem explicação é você colocar um projeto de 40 anos atrás dentro de uma nova caixinha sem mudar nadica de nada, sendo que tudo mudou (guitarras, pedais, amps e, principalmente, GUITARRISTAS)... Então quer dizer que talvez isso possa ser resolvido com um buffer também... "Peraí, mas estávamos falando de buffers na entrada dos pedais, agora você fala da saída?" (...)
|