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Fóruns Cifra Club / Música em Geral / Quem mandou primeiro, Fagner ou Belchior?
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Autor Mensagem
Paultx
Veterano
# Enviado: 16/jan/09 19:03


Nas letras de Canteiros (Fagner) e de Hora do almoço (Belchior) aparecem os versos:

Ainda sou bem moço pra tanta tristeza
Deixemos de coisa e cuidemos da vida
Pois senão chega a morte ou coisa parecida
E nos arrasta, moço, sem ter visto a vida


Qual deles gravou-os primeiro?

Canteiros foi feita sobre um poema de Cecília Meireles, que não consegui achar na Web, e não sei se esses versos são originalmente dela.

Alguém sabe esclarecer isso? Grato agora.

CabeçaChataRocker
Membro
# Enviado: 17/jan/09 04:25
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Sei nao, mas essa musica eh foda.

Os dois sao mto bons, e cearenses, q nem eu. XD

Prof. Rosélio Araujo
Membro
# Enviado: 17/jan/09 16:51
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Paultx
Qual deles gravou-os primeiro?

Me parece que foi o Belchior. Vou dar uma conferida.

alexandrememphis
Veterano
# Enviado: 17/jan/09 17:05 · Editado por: alexandrememphis
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Na verdade, esse trecho não é do poema da Cecília. É da música "Hora do Almoço" do Belchior que Fagner usou como música incidental em Canteiros. Vou achar o poema de Cecília e posto.

alexandrememphis
Veterano
# Enviado: 17/jan/09 17:09
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Marcha

As ordens da madrugada
romperam por sobre os montes:
nosso caminho se alarga
sem campos verdes nem fontes.
Apenas o sol redondo
e alguma esmola de vento
quebram as formas do sono
com a idéia do movimento.

Vamos a passo e de longe;
entre nós dois anda o mundo,
com alguns mortos pelo fundo.
As aves trazem mentiras
de países sem sofrimento.
Por mais que alargue as pupilas,
mais minha dúvida aumento.

Também não pretendo nada
senão ir andando à toa,
como um número que se arma
e em seguida se esboroa,
- e cair no mesmo poço
de inércia e de esquecimento,
onde o fim do tempo soma
pedras, águas, pensamento.

Gosto da minha palavra
pelo sabor que lhe deste:
mesmo quando é linda, amarga
como qualquer fruto agreste.
Mesmo assim amarga, é tudo
que tenho, entre o sol e o vento:
meu vestido, minha música,
meu sonho e meu alimento.

Quando penso no teu rosto,
fecho os olhos de saudade;
tenho visto muita coisa,
menos a felicidade.
Soltam-se os meus dedos ristes,
dos sonhos claros que invento.
Nem aquilo que imagino
já me dá contentameno.

Como tudo sempre acaba,
oxalá seja bem cedo!
A esperança que falava
tem lábios brancos de medo.
O horizonte corta a vida
isento de tudo, isento...
Não há lágrima nem grito:
apenas consentimento.
Cecília Meireles

alexandrememphis
Veterano
# Enviado: 17/jan/09 17:14 · Editado por: alexandrememphis
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http://www.youtube.com/watch?v=lNHcVPH4lxQ
A música do Belchior que contém esses versos.

Paultx
Veterano
# Enviado: 29/set/09 16:24
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Ainda que tardio... valeu!

Fastturtle
Veterano
# Enviado: 29/set/09 16:26
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Belchior
malfeitor

[/chaves]

old steel
Membro
# Enviado: 29/set/09 17:45 · Editado por: old steel
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Foi adaptação do Fagner.
Como sabemos, a história toda começou em 1973, com Raimundo Fagner gravando no elepê de estréia para a Philips a música Canteiros, até então creditada como sendo de sua autoria. Com poucas unidades vendidas, o disco de início não logrou nenhum sucesso comercial e foi tirado das prateleiras pouco tempo depois de lançado. Só que o estouro da música Revelação despertou a curiosidade de alguns radialistas que foram procurar as canções antigas e esquecidas de Raimundo Fagner. Encontraram Canteiros, começaram a tocar a música e descobriram ali um grande sucesso adormecido. Mas antes da música acontecer nacionalmente, ele já tinha dividido a parceria da letra com Cecília Meireles e inclusive divulgando-a em release de show, em 1977. No mesmo ano musicou o poema Epigrama No. 9, registrado no disco ''ORÓS''. E, novamente, em 1978, musicou Motivo, utilizando para fins comerciais alguns versos do poema na parte interna e na capa do elepê intitulado de ''EU CANTO''.
No dia seis de novembro de 1979, Raimundo Fagner admitiu, ao ser interrogado no dia pelo Juiz Jaime Boente, na 16a. Vara Criminal, que ''sem tirar a beleza dos versos, procurou fazer uma adaptação à música'', reconhecendo o uso indevido do poema Marcha, de Cecília Meireles, na composição Canteiros, registrada na primeira edição do elepê ''MANERA FRU FRU, MANERA''. Para o Juiz Jaime Boente, Raimundo Fagner violou a lei de número 5.988/73 que regula os direitos autorais e com a agravante de plágio, nos artigos 184 e 185 do Código Penal. Eis, a título de curiosidade e comparação com a letra cantada por Raimundo Fagner, o poema ''Marcha'', original de Cecília Meireles:

''Quando penso no teu rosto, fecho os olhos de saudade

Tenho visto muita coisa, menos a felicidade

Soltam-se meus dedos tristes

dos sonhos claros que invento

Nem aquilo que imagino

já me dá contentamento



Gosto da minha palavra pelo sabor que me deste

Mesmo quando é linda, amarga

Como qualquer fruto agreste.

Mesmo assim amarga, é tudo que tenho

entre o sol e o vento.

Meu vestido, minha música,

meu sonho, meu alimento.''

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